terça-feira, abril 27, 2010

Cidade



Antes suspirávamos na arte do amor,

nos escondendo numa armadilha sem fim.

Hoje quanto mais se cava, mais vidas são ceifadas.

Construímos nossos ideais para um nada comum.

Cidade furada para dar vazão a mentes fúnebres,

Cidade cheia de mentecaptos

que assolam plantações

tornando seus solos inférteis

Oh! Cidade que chora com as chuvas,

parecendo

rios caudalosos arrastando pessoas e carros.

Sábias vovós que morrem aos poucos

com segredos em seus corações.

Cidades vazias, onde

pequenos grupos discutem seu futuro.

Grande cidade que freqüenta meus sonhos.

Que na manhã primaveril,

Pensarei ainda em trilhar pelos sinuosos caminhos febris,

mesmo tendo

habitantes sedentos da ganância...

que ainda machuca minha cidade,

a empobrecendo dia após dia.

Em suma,

Toda cidade têm

Burros,

Cachorros,

Galinhas,

Gatos e

Porcos com seus luxuosos chiqueiros.

Paola Vannucci

21/04/2010

3 comentários:

Daniel Aladiah disse...

Querida Paola
Sempre perspicaz a tua análise com sabor a poesia.
Um beijo
Daniel

Rob Novak disse...

"Porcos com seus luxuosos chiqueiros." De tanta ostentação acabam por esquecer que são porcos. Porém, uma vez porcos, sempre porcos.

Oi Paola

Conversei com você ontem, no Café Literário, na Bienal. Seus escritos são, na maioria, bem críticos. Vou le-los aos poucos e tecer comentários na medida do possível.

Se quiser aparecer em meu blog, fique à vontade :)

Bjo

Nélio Cícero disse...

O meio urbano tem sempre destas coisas que deixa alienados todos que procuram reconhecimento e poder.