sexta-feira, março 27, 2009

O homem




O homem vive de migalhas.
Oferta migalhas.
Quererás migalhas.
Quireras para comer com ‘suan’ de porco,
Restos nojentos,
Risos cardíacos,
Doces nefastos.
Vida injusta que recebo,
Vida podre dos que nada me ofertam.

O homem cultiva dor e desamor,
Pensando o contrário,
Pobre está.
O homem cria desilusão,
Malfeitorias faz.
O homem não caminha, pois,
A caminhada só é justa,
Quando se faz dela sua principal meta.
O homem joga sua meta na sarjeta,
Matando todas as justiças,
Tornando-as injustas.


Paola Vannucci
27/03/2009

sábado, março 21, 2009

Saúde Pública



A morte recente do grande astro popular Clodovil, me deixou um pouco triste, suas aparições diante do público eram engraçadas com um ‘q’ de verdade que todos jamais falariam. Ele sofreu um suposto AVC e logo que foi descoberto foi prontamente atendido e dirigido a um hospital e teve os melhores tratamentos para que pudesse recuperar a saúde. Não estou desmerecendo de Clodovil, mas o fato é mais grave.
Assistindo o jornal após o almoço vejo a noticia de Clodovil, mas também uma noticia sobre os hospitais de Belém do Pará, que simplesmente as pessoas chegam lá e não tem infraestrutura alguma de atendimento e morrem a céu aberto. O que a população tem de diferente das pessoas públicas e dos políticos? Na maioria do país nossa população chega aos hospitais para serem atendidas e acabam-se encontrando nos açougues a espera de serem abatidos como se fossem porcos para riscar do mapa sua estada na Terra.
Eu vi a senhorinha agonizando na hora da reportagem. Será que as autoridades percebem alguma coisa? Claro a resposta que se tem é que todos estão trabalhando dentro de um sistema e que numa grande bola de neve, se obtém menos de 1% de resultado.
Enquanto aquela senhorinha morria, seus parentes desesperados esperando apenas alguma comunicação de que o melhor estava por fazer, e nada escutaram apenas outros doentes agonizando e lamentando a morte ao lado, talvez pensando – o próximo será eu! – enquanto num outro lado do país o pai vê seu filho morrer na fila de outro hospital, e a criança tem um alento de estar segurando a mão de sua mãe como se segura a mão de Deus! Casos similares ao de Clodovil acontecem, casos até mais graves acontecem e nada tem a fazer a não ser esperar até a gravidade da situação. O que é pior do que a morte? Será o verdadeiro descanso?
Pessoas estão presenciando entes queridos partirem sem alguma explicação com todos os sofrimentos possíveis.
Fico pensando: o que será que um político que está lá no plenário votando as leis, pensa na prática?
Morre um, morrem três e cria-se o Rap dos Carniceiros, sim porque nos dias atuais os piores hospitais das grandes capitais são conhecidos como açougues. Aqui existem pelo menos três açougueres de qualidade. Sinceramente gostaria de estar comprando picanhas nos lugares certos ao ver que por causa de um Sistema Ordinário muitas pessoas morrem como se fossem menos um para super povoar o Brasil.
Pensem bem, a boa morte desenfreada ou a farta natalidade? A educação ou o analfabetismo?

E Clodovil disse certa vez no Plenário:

- Isso aqui está parecendo mercado de peixes!

Será que é isso mesmo?
Tirem suas conclusões.


Paola Vannucci
21/03/2009

sábado, março 14, 2009

Poesia 2009




Quando escrevo,
Escrevo para todos.
Quando choro,
Ninguém me lê,
Nem sabe ao menos o que se passa comigo.
O Poeta age assim,
Escreve alegrias, desgostos,
Imensidão, sonhos,
Escreve o que vive.
Mas pena que a humanidade o desumanizou.
Onde estão os verdadeiros poetas?
Nas covas já têm milhares deles,
Venerados e honrados que decifraram os sentimentos,
Ainda copiados.
Poetas da vida que
Trilham as palavras,
Poetas da depressão,
Para não morrerem escrevem sua dor.
Depressão?
Palavra moderna para o sentimento de dor,
Tortura e morte daqueles que se acovardam da vida.
Poetas urbanos que
Nas metrópoles mostram seus rostos.
Somos amantes da vida, saboreamos vida,
Seres alegres.
Diante do caos das águas erguidas
Somos as vertentes da POESIA!


Paola Vannucci
14/03/2009