sexta-feira, abril 27, 2007

PENSO SEMPRE NA VIDA E NA CONDIÇÃO EM QUE EXISTO NELA
PENSO NAS SITUAÇÕES ACONTECIDAS
E NO MAL CONQUISTADO QUE NAO NOS PERTENCE
PENSO NA ALEGRIA QUE SUFOCA A TRISTEZA POR UM SIMPLES GESTO DE CARINHO
CARINHO OFERTADO NUMA AJUDA HUMANITÁRIA E SEM INTEÇÕES
ACHO PENA QUE PESSOAS AINDA ME FAZEM MAL
ACHO PENA O PENSAMENTO ULULANTE DE SERES
QUE NAO ENCHERGAM O AMOR
MAS A VIDA CAMINHA E ANDA
E EU CONTINUO AQUI PRODUZINDO O BEM
A QUEM
PRODUZINDO UM SORRISO
A QUEM
E SUFOCANDO A TRISTEZA EM SORRISO


PAOLA VANNUCCI

terça-feira, abril 24, 2007

Os Druidas e sua Doutrina da Imortalidade da Alma

Os Druidas eram sacerdotes e sarcedotisas dedicados ao aspecto feminino da divindade: a Deusa. Mas eles sabiam que todas as nossas idéias a respeito da divindade eram apenas parciais e imperfeitas percepções do divino. Assim, todos os deuses e deusas do mundo nada mais seriam que aspectos de um só Ser supremo - qualquer que fosse a sua denominação - vistos sob a ótica humana.Eles não admitiam que a Divindade pudesse ser cultuada dentro de templos construídos por mãos humanas, assim, faziam dos campos e das florestas mais suaves - principalmente onde houvessem antigos carvalhos - os locais de suas cerimônias. Os druidas eram parte da antiga civilização Celta, povo que se espalhava da Irlanda até vastas áreas no norte da europa ocidental, incluindo a Bretanha Maior e Menor (Inglaterra e norte da França) e parte do extremo norte da península ibérica (Portugal e Espanha). Dominavam muito bem todas as áreas do conhecimento humano, cultivavam a música, a poesia, tinham notáveis conhecimentos de medicina natural, de fitoterapia, de agricultura e astronomia, e possuiam um avançado sistema filosófico muito semelhante ao dos neoplatônicos. A mulher tinha um papel preponderante na cultura druídica, pois era vista como a imagem da Deusa, detentora do poder de unir o céu (o Deus, o eterno aspecto masculino) à terra (a Deusa, o eterno aspecto feminino). Assim, o mais alto posto na hierarquia sacerdotal druídica era exclusividade das mulheres. O mais alto posto masculino seria o de conselheiro e "mensageiro" dos deuses, e, entre outas denominações, recebiam o nome de Merlin.Desde a dominação romana, a cultura druídica foi alvo de severa repressão, por isso hoje sabemos muito pouco sobre deles, apesar de o próprio Júlio César reconhecer a corajem que os druídas tinham em enfrentar a morte em defesa de sua cultura. Sabemos que eles possuiam suficente sabedoria para marcar profundamente a literatura da época, criando uma espécie de áura de mistério e misticismo (e eles, de fato, eram místicos), sendo reverenciados e respeitados como legítimos representantes dos deuses.O Povo Celta, como um todo, construira-se dentro de uma tradição eminentemente oral, ou seja, não usavam a escrita para transferir seus conhecimentos fundamentais - embora conhecessem uma forma de escrita chamada rúnica. Por isso após o domínio do cristianismo - que no início foi bem recebidao pelos próprios druídas, quando o poder da Igreja de Roma ainda não era suficientemente forte e corrompido ao ponto de distorcer a mensagem básica de Jesus de tolerância e amor - perdemos muito desta maravilhosa civilização, e, juntamente, perdemos muito da história dos Druidas, e até hoje muita coisa permanece envolta em mistério: sabemos que realmente eles existiram entre o povo Celta, porém eles não eram propriamente originários desta civilização, então de onde vieram os Druidas? Seriam eles os tão terrívies Bruxos avidamente perseguidos pelo fanatismo cego e ambiciosa da Igreja Católica Romana? Foram eles quem ajudaram o bretões a se livrarem dos saxões? Teria realmente José de Arimatéia (discípulo de Jesus) encontrado abrigo entre eles? A história dos Druidas se esconde freqüentemente entre diversas lendas, como a do Rei Arthur, onde Merlin e a meia-irmã de Arthur, Morgana, eram Druidas.Na verdade quando estudamos sobre os Druidas, temos diante de nós apenas fragmentos de narrações, algumas lendas e muita oposição eclesiástica, cujo ódio aos Druidas e a todos os outros povos pagãos é forte demais para que seus textos nos sejam uma fonte confiável de informação. A sensação que temos é a de embarcar num Mundo totalmente diferente, mágico, fantástico, como se tomássemos a lendária barca que nos leva à ilha sgrada de Avalon, cercada de brumas, onde vive um povo incrível e misterioso.Das poucas coisas que sabemos sobre eles, temos a certeza de que os Druidas acreditavam na Imortalidade da Alma, que buscaria seu aperfeiçoamente através das vidas sucessivas (reencarnação). Eles acreditavam que o homem era o responsável pelo seu destino de acordo com os atos que livremente praticasse. Toda a ação era livre, mas traria sempre uma conseqüência, boa ou má, segundo as obras praticadas. Quanto mais cedo o homem despertasse para a resposabilidade que tinha nas mãos por seu próprio destino, melhor. Ele teria ainda a ajuda dos espíritos protetores e sua liberação dos ciclos reencarnatórios seria mais rápida. Ele também teria a magna responsabilidade de passar seus conhecimentos adiante, para as pessoas que estivessem igualmente aptas a entender essa lei, conhecida hoje por lei do carma (que é uma denominação hindu, não druídica).Os Druidas desapareceram paulatinamente da história à medida que crescia o domínio da Igreja de Roma. Os grandes sacerdotes druidas eram conhecidos como as serpentes da sabedoria, e, numa paródia sem graça, São Patrício ficou conhecido por ter expulso "as serpentes da Bretanha". Mas o fascínio destas pessoas não poderia desaparecer de repente. Eles se perpetuaram nos romances dos menestreis e trovadores medievais, e sua influência se fez sentir nos vários movimentos místicos e contestátórios da Idade Média, especialmente entre os Cátaros e na Ordem dos Templários.
Bibliografia Sugerida:
Marion Z. Bradley: As Brumas de Avalon, Imago Editora, São Paulo,1990.
Os Celtas, Coleção Povos do Passado, Círculo do Livro, São Paulo, 1996.

quarta-feira, abril 18, 2007

Hildegard von Bingen




Durante as trevas intelectuais da Idade Média, a Igreja Católica Romana era uma insituição patriarcal sedenta de poder e rigidamente machista. Mas, mesmo assim, alguns luminares femininos conseguiram se destacar, especialmente nos países germânicos. Entre estas mulheres, uma nos interessa especialmente: Hildegard von Bingen.Hildegard von Bingen viveu de 1098 a 1179, na Renânia. Ela foi uma extraordinária pensadora, uma grande filósofa e teóloga. Ela era uma freira que - coisa raríssima na época - fazia sermões públicos, que, além de atrair pela riqueza de conteúdo o povo de sua época, atraia multidões pelo carisma e pela grande beleza física que possuia, como podemos ver pelas iluminuras que a representam e pelos relatos sobre ela. Dentre outras qualidades, ela era compositora (suas músicas foram recentemente gravadas), escritora, médica, botânica. Era muito dada ao estudo. De certa forma, durante o reinado das trevas, ela possivelmente tenha sido a primeira cientista após a destruição definitiva da biblioteca de Alexandria. Na totalidade da história ocidental, o século 12, na Alemanha, nos chama a atenção pelo profundo mergulho espiritual dos pensadores da época, na maior parte religiosos, que possibilitaram uma ambiente extremamente místico (no sentido transpessoal do termo), rico de insights, e que se refletiu na arte e cultura do tempo, e que ainda hoje exercem um fascínio mágico e racionalmente incompreensível ao homem de hoje, mas que emociona profundamente e enleva a alma: o estilo Gótico.A Renânia possuia todo um clima espiritual mais sofisticado e evoluído que o resto da Europa. Lá nasceu Hildegard. Ela era a décima criança de uma família nobre que morava na cidade de Rhineland, próxima a Mainz, e onde ainda se podia respirar um pouco do ar celta e sentir um pouco do espírito da Antiga Roma Imperial. Com oito anos, sua família resolveu da-la aos cuidados de uma freira para que, posteriomente, segui-se a carreira religiosa.Pelos registros que temos, Hildegard foi uma criança excepcional, apesar de ter uma constituuição física frágil e de ter suportado graves doenças. Desde cedo ela passou a ter visões místicas de cunho
Transpessoal que lhe possibilitavam, entre outras coisas, demonstrar um alto grau de clarividência e de premonições; de início assustada com as possíveis conseqüências de suas visões, ela não costumava relatar suas experiências transpessoais. Quando a irmã que a criou no convento, e que era Abadessa, faleceu em 1136, Hildegard foi eleita a nova Abadessa. Anos depois, em meio a um longo tratamento de saúde, ela escrveu: "Quando tinha 42 anos e sete meses de idade, uma ardente luz de um intenso brilho veio do céu para se por por completo em minha mente, como uma chama que não queima mas que ilumina. Ela me preencehu totalmente, coração e alma, como um sol que esquenta algo com seus raios. E mais uma vez eu poderia ter o gosto de entender realmente o diziam e o que significavam os Sagrados Livros - Os Salmos, os Evangelistas e os demais livros do Antigo e Novo Testamento."Hildegard escrevia tudo o que lhe acontecia, e suas visões se transformaram num livro chamado Scivias (Conhecer o Caminho). Ela relatou sobre suas visões com grandes teólogos da época, como Bernard de Claivaux. Foi ele quem enviou uma parte dos manuscritos de Hildegard para o Papa Eugênio III, em Trieste. Profundamente impressionado, ele endossou os trabalhos de Hildegard bem como suas visões.Está claro, hoje, que Hildegard possuia uma facilidade ímpar para adentrar nos chamados "Estados Alterados de Consciência". Muitas vezes ele diria que suas visões e as sensações a elas vinculadas eram difícies de serem postas em palavras. Eram experiências que transcendiam o nosso modo convencional de perceber as coisas. Mas ela tinha de descrever suas experiências de alguma forma, sentia uma grande necessidade de comunicá-las. Por isso não é de se estranhar que toda a riqueza de suas experiências místicas tenham sido relatadas sob uma forte capa cultural típica dos escritos da época. Durante mais de 25 anos, ela escreveu um número extraordinário de documentos e trabalhos sobre a relação humana com o plano divino da criação. Também produziu fascinates estudos sobre botânica e medicina. Compôes 77 canções litúrgicas para uso do convento, e algo como um oratório dramático intitulado Ordo Virtutem. Já com uma idade avançadíssima para a época, aos 72 anos ela voltou a Rhineland para pregar aos clérigos e aos leigos da necessidade de reformas urgentes na Igreja, que estava visivelmente corrompida por assuntos nada espirituais. Por toda a vida, ela escreveu centenas de cartas para as pessoas das mais diversas classes e níveis sociais.Sua incansável energia e grande vitalidade argumentativa tornaram-se suas principais marcas de personalidade, juntamente com suas experiências místicas: frequentemente ela se erguia de seu leito, muitas vezes em meio a inúmeras dores, após ter tido uma nova visão que imediatamente lhe estimulava a ir a uma nova cruzada de conscientização pública sobre os rumos que a religiosidade estava tomando, e que dibergia da mensagem de Cristo. Ela foi implacável ao denunciar a corrupção clerical de sua época.Por conta de sua coragem, Hildegard foi muito atacada por toda a sua vida. Mas o pior ainda viria no último ano de sua vida. Ela havia caridosamente enterrado um jovem revolucionário que havia sido excomungado, quebrando assim com uma das mais rígidas leis eclesiásticas da Igreja. Os bispos exigiram que ela exumasse o corpo, considerado indigno de repousar em terra santa. Ela recusou-se, dizendo que o jevem morrera em graça e em comunhão com Deus. Seu convento foi interditado e ela e suas irmãs foram proibidas de participarem da missa.Apenas alguns meses antes de sua morte, seus direitos foram restaurados. Ela pode, enfim, descansar um pouco. Em 17 de setembro de 1179, Hildegard, ao 81 anos, sofreu um colapso; pouco antes de morrer, duas listas de luz surgiram no céu e adentraram em seu quarto. Hildegar foi, a partir de então, cultuada como uma mensageira de Deus entre os homens.Entre o povo mais simples da época, talvez devido aos resquícios da tradição pagã, como a dos druidas, acreditava-se que Deus não seria apenas homem, não teria apenas caraceterísticas masculinas, Deus seria Pater-Mater. O Ser Supremo teria também um lado feminino, ou uma "natureza feminina" (a Deusa, adorada pelos druidas). Afinal, a mulher teria sido também criada à Sua imagem e semelhança, ainda que os padres torcessem o nariz para tal pensamento e culpassem a mulher pela vinda do pecado ao mundo. Em grego, a palavra para o lado feminino de Deus é Sophia, e significa sabedoria. A crença sobre a natureza materna de Deus também estava presente entre os cristãos primitivos, antes de Roma obter a hegemonia sobre os rumos da Igreja. Mas ela manteve-se na Igreja do Oriente, a chamada Igreja Ortodoxa, e entre os judeus durante a Idade Média, mas caiu em completo esquecimento na Europa ocidental (graças ao machismo romano). Só com Hildegard von Bingen é que é que ela teve um rápido lampejo de retorno. Em vários de seus êxtases místicos, ela conta que viu Sophia a andar ricamente vestida, procurando um meio de se dar à conhecer ao mundo. Quando Hildegard morreu, conta-se que seu espírito, rejuvenescido, foi visto várias vezes andando e cantado pela capela, com uma expressão de doce júbilo no rosto. Ela cantava a sua mais conhecida canção: O Virga Ac Diadema.

domingo, abril 15, 2007

A VOLTA DA CANÇÃO!!!!


Engraçado... risos....
A volta da canção me surpreende...
Não imaginava que a magia pudesse tomar conta do meu corpo sofrido
Mas agora vejo que voltou
Estou sorrindo
Nas lutas diárias me ausentava
Vi uma luz no final do túnel
Escutei da voz ao telefone
Que não sei se esta voz ainda quer de mim
Não sei dos sentidos
Mas platonicamente sei, risos mais.
Oh! vida bandida que me persegui
O platônico mais uns vês
E eu aqui conversando com a canção
Doce mistério do momento
Doce voz da Yves mais uma vez a me contemplar
Doce voz do telefone
Que de impulso me vez sonhar
Com o toque do piano agora imagino suas mãos me tocar
Doce magia em ser feliz por alguns segundos
Horas eu diria...
Suave voz que não me sai dos pensamentos
Delírio loucura
Sentir,
Quem sabe uma carência
O destino é único e traçado
Quem sabe
Mas com a força do pensar se muda qualquer destino
Doce voz ainda escondida
Apenas sei
Doce momento que me faz pensar, pensar e pensar....
A Yves repete a musica para nosso encontro.



PAOLA VANNUCCI
15-04-07

sexta-feira, abril 13, 2007

HOMENAGEM DO MEU GRANDE AMIGO AROLDO.... QUE VENHAM MAIS POESIAS, A CULTURA NÃO PODE MORRER - AROLDO OBRIGADA!!!!!!!

O detetive e a moça
Aroldo José

Você é a única!
Foi o que disse o detetive
Que usava capa amarela
Para bela a moça
Que ele amava.
Ela era tão bonita
E se tornava mais bonita
Quando ficava indecisa.


A moça de chapéu,
Que era tão clara.
Sonhava com uma vida feliz
E calma assim como ela.
Ela queria uma vida burguesa
E um vestido de princesa.


Você é a única!
Ela sabe que ele disse a verdade.
Ele a quer para toda vida:
Dividir histórias,
Unir corpos suados,
Pagar contas
E levar as crianças na escola.


Ele lembra de quando a viu
Pela primeira vez.
Era dia de chuva,
Ela estava ensopada.
Ele lhe ofereceu um guarda-chuva.


Ela era tão bonita.
Ele lhe deu também o seu coração,
Seu jeito simples e honesto
Que fica sem jeito
Quando fala dos assuntos do coração.


Ele não disse que a amava
Porque é difícil explicar
O que se sente.
Porém acariciou seus cabelos molhados
E contemplou seus olhos claros.
Ela pensou o quanto ele era elegante.
O homem da capa amarela,
O homem que respeitava a lei
E fazia a chuva parecer
Um dia de primavera.


Você é a única!
Ele disse que sabia disso.
Ela disse que o amava
Enquanto a chuva caía.
Ele a protegia
E ela sabia que ele a amava.
O homem da capa amarela
Que tornava sua vida bela.



Belém, 23/11/96

terça-feira, abril 10, 2007

IMPROVISO

O REPOUSO DA NOITE
ENRIQUECE MINHA ALMA
DURMO COMO UM ANJO A ESPERA DO MEU AMOR
O RECANTO DOS MEUS APOSENTOS
É MAGICO COMO NOSSO AMOR
QUE CRUZA ESTRADAS, PONTES, RIOS, LAGOS
MAS SEI QUE MEU SENTIR CHEGA ATÉ VOCÊ
MEU DESPERTAR VEM COM O TILINTAR DOS SEUS SINOS
MEIGOS E SUAVES ME ACORDAM COM SEU DOCE PERFUME
AMANHEÇO O DIA SABENDO QUE TEM UM ANJO ME ESPERANDO
É A ESPERANÇA DO MEU SORRIR



PAOLA VANNUCCI

quarta-feira, abril 04, 2007

Sinto-me traída pela vida,
Em todos os sentidos, quero gritar neste momento, mas meu choro incontido resta-me a dor do meu coração.
Sinto-me abandonada de colo, onde choro sem ter fim meu desespero.
Num dia me exalto, mas vejo que fora em vão.
Noutro vejo a derrota
Pobre de mim, que luta em vão,
Não! Não quero me arrepender, tudo leva-me a isto, tudo me leva a isto.
Meu peito sufocado dói, meu corpo dói, meus olhos lacrimejam dor.
Até quando meu Deus?
Pergunto, até quando?
Não sei mais....
Vou parar por aqui!!!
Desculpem mas não sei mais meus sentimentos,
Desculpem,
É muita dor que sinto!

domingo, abril 01, 2007

Primeiro de abril: o dia da mentira

Tudo começou em 1564, quando Carlos IX, rei de França, por uma ordonnance de Roussillon, Dauphine, determinou que o ano começasse no dia primeiro de Janeiro, no que foi seguido por outros países da Europa. É claro que, no início, a confusão foi geral, de vez que os meios de comunicação ainda eram inexistentes. Não havia rádio, televisão, nem mesmo o jornal, pois era a invenção da imprensa, por Gutemberg, só aconteceu muitos anos depois.
Antes de Carlos IX determinar que o dia primeiro de Janeiro fosse o começo do ano, este tinha início no dia primeiro de abril, o que resultou ficar conhecido como Dia da Mentira, por força das brincadeiras feitas com a intenção de provocar hilaridade.
Surgiram, então, as brincadeiras (que os franceses denominavam de plaisanteries) em todo o mundo, como a da carta que se mandava por um portador destinada a outra pessoa, na qual se lia o seguinte: "Hoje é primeiro de abril. Mande este burro pra onde ele quiser ir".
Seria um nunca acabar se fossem, aqui, relacionadas as brincadeiras referentes ao primeiro de abril. Até mesmo eram distribuídas cartas convidando amigos para assistirem ao enlace matrimonial de pessoas que nem sequer se conheciam, mencionando a igreja, o dia e a hora em que seria celebrado o suposto casamento.
Vejamos alguns primeiros de abril pregados pela imprensa mundial, conforme relata a revista Isto é, de são Paulo, n- 1488, edição de 8 de abril de 1998: 1) "A África do Sul comprou Moçambique por US$ 10 bilhões. O anúncio do negócio fora feito na organização das Nações Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela. Deu no jornal Star, de Johannesburgo; 2) A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo porque o dinheiro da seleção seria usado na luta contra o incêndio em Roraima; 3) A minúscula república russa Djortostão declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha. Isso tudo de acordo com o jornal Moscou times; 4) Diego Maradona, ex-capitão da seleção argentina de futecol, é o novo técnico da seleção do Vietnã. Deu nos principais jornais vietnamitas; 5) Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil, do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada americana."
Noticiando o falecimento de Maurício Fruet, ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal, a revista Isto é, são Paulo, n- 1510, edição de 9 de setembro de 1998, informou que ele "era considerado o parlamentar mais brincalhão e espirituoso que passara pela câmara dos Deputados. Um exemplo: convocou uma falsa reunião de todo o secretariado do então governador Roberto Requião no dia 1- de abril de 1990 (havia 15 dias que Requião tomara posse). Os Secretários, sem entender nada, passaram toda a madrugada no palácio Iguaçu. De manhã, Fruet fez chegar a informação de que era um trote do Dia da Mentira."
Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das plaisanteris francesas, continuem sempre a existir, graças à eternidade das manifestações folclóricas no mundo inteiro.