domingo, janeiro 27, 2013

Falha Humana




A morte mora ao lado,
Lado de dentro da ‘Boate’,
Morte assombra e varre centenas num piscar de olhos,
E o show de pirotecnia, exalta as falhas humanas.
Primeira falha: Baile universitário a ser comemorado por ‘maiores’;
Havia muitos ‘menores’.
Segunda falha: Sistema de segurança comparado aos bárbaros da antiguidade,
Trancam-se as portas para receberem míseros trocados.
Quem vai enriquecer diante de centenas de mortos?
Quem se diverte, com mais uma tragédia?
Terceira falha: A mesma porta que entra, sai.
A mente humana é falha.
Errar várias vezes é irresponsabilidade.
Retroceder nas tragédias só me faz pensar,
Que a lição não foi aprendida.
Hoje, amanhã, mais algum dia, outras mortes contabilizarão.
De quem é a culpa?
Autoridades? Dono do estabelecimento? Seguradora?
Seguranças?
Pobres trabalhadores estão sendo massacrados por ordens recebidas.
A culpa é da ‘FALHA HUMANA’
Onde muitos trocam os dias pelas noites,
Ficam atordoados durante o dia,
Mas vivem nas festividades noturnas.
Dormem nas manhãs, rendem pouco no trabalho,
E ganham fama nas madrugadas.
Quem trabalha falha.
Quem dança paga para ver o fogo acontecer.
Quem chora são os familiares que estavam em suas casas.
Quem lamenta mais uma vez é o ‘Mundo’
Que ao invés de se preocupar com a ‘Fome’ e a ‘Miséria’
Transfere sua dor para esses poucos néscios,
Que insiste em falharem.

Paola Vannucci
27/01/2013

sábado, janeiro 26, 2013

Aniversário da Cidade!



- Mais velha! Tem pastel aqui, senhora!
Anunciam os feirantes que
Brindam o dia
Suado, ganha quem grita, perde quem fala pouco.
Saudades daquelas feiras...

Dos sons frenéticos do metrô,
Ah! Quanta lembrança ao descobrir ainda pequena
Que podia chegar ‘na’ Santa Cecília sem nenhuma restrição.
Agora de hora em hora tem-se Tour pelo metrô,
Vejo São Paulo ainda como descoberta,
De história inacabada às histórias intocadas,
Ouço parte da História do Brasil,
Jamais revelada.
Cidade dos sonhos, do desejo,
Um toque sincero.
Desespero de quem chega e pergunta:
- Por onde andarei? Sei que meu objetivo é trabalho.
- São Paulo é trabalho.

Pela manhã,
O vento varria mágoas impregnadas em meu corpo,
Pairavam no infinito acinzentado,
Mesclando nos finos traços azulados,
Formando poesia.
Era como se o vento filtrasse meu sangue.
Pela tarde, descobria a chuva.
Limpando as impurezas da cidade,
Aterrorizando a volta do cidadão, e.
Sem que eu perceba;
Ao anoitecer, deparava com a tormenta,
Bares, restaurante, freguesia exausta,
Desprendendo-se do dia árduo,
São Paulo que jamais me esqueceu,
Da Casa das Rosas e das suas pizzarias,
Da rua que me acolheu,
Que fosse talvez um ‘Gavião alimentando-se do Brigadeiro Peixoto’.

E mais um dia nasce com aquele feirante da Ceasa, anunciando:
- Minha senhora, meu senhor...
- Hoje tem saudade na Maloca!

Paola Vannucci
25/01/2013

terça-feira, janeiro 15, 2013



Assim começa 2013

Não há silêncio que me faça entender
Tal brutalidade,
Não há vida que se possa tirar diante de
Tal banalidade.
Estamos no âmago da barbaridade.
Jovens saem matando desenfreadamente,
Por motivo torpe,
Por praticarem desgraça alheia.
Jovens matando jovens,
Tribos rivais, drogas eminentes...
Um rapaz,
Mas um rapaz, de boa família,
Amor em construção,
Objetivando sua trajetória,
Gostava da vida, de sua namorada,
De seus estudos.
Um rapaz poderia ser filho de qualquer um.
E sua mãe derrama lágrimas sofridas por sua ausência eterna,
Sua namorada ficara em estado de choque.
O que é a vida de um jovem perdida?
Já os policiais nem observam os fatos, dizem:
- Mais um acerto de contas.
Onde estamos vivendo?
Até quando iremos retroceder na caminhada?
Pelo que sei o mundo dos canibais não é este.
Autoridades partem sempre da mesma linha de investigação,
Que somos iguais, e quando se morrem assassinados,
Sempre é por um mesmo motivo.
Autoridade corrupta,
Autoridade covarde,
Autoridade miserável,
Que contabiliza mais uma perda, mais um corpo nas suas estatísticas,
Mas não há
Autoridade que vá silenciar a dor dos entes queridos,
Ninguém vem a minha porta, oferecer o clamor de Deus.
E até agora, não consigo entender:
Qual foi o propósito de Deus para este rapaz?

Descanse em Paz!

Paola Vannucci
15/01/2013