sábado, dezembro 08, 2012

A canção que escrevo



Escrevo a liberdade da canção.
Chora cada instrumento a uma razão.
Danço a vida sempre em condição.
Percebo que livre me completo,
Casa trabalho,
E a canção sublima meu corpo,
O tambor regozija minha alma,

Ah! Aquela que flauta,
De tão doce flutua na ventania constante,
Como num caminhar sem fim.
Encontro um amor,
Que produz incríveis toques no meu ser.
Gargalhadas dou, darei e se quiser,
Rio do mundo que
Outrora me fizera chorar.
Mas a flauta toca docemente para que eu possa brilhar,
Simples como o piano que reflete a voz do meu inconsciente;
Clamando a pureza do meu ser.
E tudo se mistura,
Num balançar de riquezas jamais imagináveis por
Quem quer que seja,
Transbordo na alegria
De novos seres aculturados e formados por mim.
Transcendo meu coração ainda
Na condição.

Ah! Condução que me guia.
São degraus cruzados na sinfonia,
São rostos ardentes e felizes

Dizendo a si mesmos,
- Que bom, abri a porta da larga escada;
E respondo-lhes:
- Resta agora subi-la e alcançar a ventania.

Vejo o rumor da guitarra, para atenuar a canção,
Esta jamais acabará firmando minhas escolhas.
E, o que falar da harpa,
Singela sutileza faz-me
Percorrer plateias,
Almejando a cada nota,
Completando a liberdade do meu ser.

Paola Vannucci
08/12/2012

domingo, dezembro 02, 2012

A dança


A dança exala fogo.
O sono se perde no sonho,
E peço uma prece a Deus.
Brado o amor ao meu amor.
Danço no sonho como jamais imaginaria;
Ouço os ignóbeis marcarem desgraças;
Sopro cálido que se força sair da minha boca;
Forma a multidão ingrata;
Que me segue a todo o momento
Passos errôneos daquele maldito sonho,
Do qual ainda penso em ser a linda dançarina.
A dança queima a alma,
O sonho lacrimeja,
Acordo assustada,
Ouço débeis acabando com suas vidas,
Mas que corrompe pensamentos,
Por simples prazer,
Penso em como reverter situações,
Quem sabe algum destino triste?
Quem sabe o néscio da prisão?
Mas,
A vida segue seu curso,
Nada posso fazer,
Só posso dançar a valsa dos bandolins.
E sonhar que n’algum dia,
O sopre se faça quente e cheio de brilho.
Amando sempre os que me rodeiam.
Amando a vida com garra e sempre
Libertando-me de falsos sonhos.
A dança esquenta a vida,
Sem me arrepender dos passos que segui.

Paola Vannucci
02/12/2012

sábado, novembro 10, 2012

Noticiário



A tormenta continua sempre que ligo
A televisão.
Cinco morrem, mataram outros sete,
E a cracolândia mudou para a Avenida Brasil.
Noutro dia,
Oito são fuzilados e ônibus foram queimados.
Viciados vivem como mortos vivos,
Mulheres violentadas sem perceberem, homens,
Quebrando seus ossos por uma pedra,
Morador de rua agora é Fashion,
Por uma pedra.
Para fugirem da realidade?
O que os governantes fazem?
Discutem,
Enquanto nascem mais famigerados,
Nasce uma sociedade fantasma.
Cresce a morbidez humana.
Vermes evoluem.
São seres sem ideais algum,
Precisam de readaptação,
Atenção.
Mas pessoas que se dizem comuns,
Correm da podridão,
Escondendo-se em suas casas.
Prefeito não mancha sua farda,
Federais discutem e rebatem governantes.
E a cada dia que passa...
A feira se forma na cidade,
“Vendemos:
- crânios de 2”;
- “fêmur de 10”;
- “Serve quatrocentas córneas”?

Paola Vannucci
10/11/2012

sábado, setembro 01, 2012

Células queimadas


Um dia o vento levou meu amor
Não sabia:...
Um incêndio chegando.
Não sentia mais meus instintos.
Seu perfume exalara no ar.
Minhas células queimaram sem socorro algum.
Tive a intenção de pedir ajuda,
O fogo me sucumbira.
Minhas células secaram diante do incêndio,
Que o tirou dos meus braços.
Querendo ser, eu a morte,
Confiei na rosa que antes parecia triste, e
Rija em meio às labaredas,
Como resposta;
Nada acabara,
Apenas uma etapa se concluíra
Esse incêndio explica tudo,
Sem sua presença, ascende uma chama,
Que nutre, queima,
Enraíza nosso amor.
Desse incêndio, aprendi que ao,
Nascer uma rosa, jamais esta morrerá.
Nem com a bomba de Hiroshima.

Paola Vannucci
01/09/2012

sábado, maio 05, 2012

Faces da morte


Zicho sonhos incríveis, mas que ainda
Permanecem no meu interior.
Observo não tão distante
As ‘faces da morte’,
Uma vez na infância assisti este cruel documentário,
Hoje leio nas manchetes,
Atrocidades terríveis, maquinadas
Por parvas mentes.
Mentes que deixaram de ser brilhantes,
Para suplantar nojo de sangue pelo mundo.

Canibalismo, estupro, degola, tortura, terrorismo,
Prazer ao ver a derrota alheia.
Satisfação pessoal,
Maldade vil estampada em rostos desumanos.

Algo que meu sonho não suporta,
Sexo sem conclusão do amor.
Glorificação de seus egos,
Onde a fé de cada pacóvio é ínfima.

Em um hospital da cidade.
Vejo o dono do cercado matando a bondade
De mais um paciente morrendo sem piedade,
Grito desespero, e ao sair,
Sinto frio na minha face,
Avistando na outra esquina,
Um mendigo ardendo na fogueira,
Deixada por cruéis adolescentes rindo com pedras de
Crack manchando suas mãos.

Quero entender,
Qual o prazer da anoréxica vomitar?
De o depressivo ingerir cápsulas?
Do jovem se drogar?

Quanto mais vivo,
Descubro o humor negro,
Faço parte da evidente,
‘Face da vida’!

Paola Vannucci
05/05/2012

sexta-feira, abril 27, 2012

Caminhada


Continuo meu caminhar,
Resistindo a dor.
Dias de desespero,
Dias cheios de perguntas,
Para poucas respostas.
Vida louca que me confunde como um qualquer,
Delírio desgastante que me faz distante dos seus passos.
Trilho meus passos a procura de um porém,
Nada me consola,
Nem menos as teclas do computador.
Procuro tocar o vento.
Imaginando ser sua pele,
Que um dia já foi doce como um anjo inocente,
Mas, o anjo,
Meus olhos não encontrou.
Percebi que cheguei tarde ao coração da nobreza.
Meu rastejar começara
Na imensidão deste país,
Que me deixa distante do seu sentir.
Descobri que sou uma fagulha
Que jamais penetrarei nos seus pulsos sanguíneos.
Agora ando com um nó fraco na garganta,
Querendo balbuciar,
Vociferar,
Declamar,
Palavras jamais ditas aos seus ouvidos.

Paola Vannucci
27/01/2012

quinta-feira, abril 05, 2012

Acordar


Depois de algum tempo parada, resolvi voltar, mas relembrando algo que escrevi antes... Espero que vocês gostem:

Acordar


O diabo invadira meus sonhos,
Para tomar meu corpo como uma prostituta.
Bem que tentou o coitado,
Mas de súbito assombro, acordei e rezei,
Pobre diabo que me dissera uma vez,
Que sua carne era mais vil,
Ou, a mais gostosa.
Mal sabe ele, que tenho um trato com alguém que me conduz.
Coitado,
Pensa que é assim, usar, abusar,
Jogar na sarjeta como uma maltrapilha qualquer.
Pobre diabo que se esconde na face do cordeiro.
Ontem ele tentou, nesta semana também,
Atordoada, fiquei.
Desapontada chorei.
Tenho pena porque,
Diabo algum sabe o tamanho da minha Fé.
Meu corpo tem dono, meu caminhar também.
Mal sabe ele que guardo um desejo em meu coração.
Entre lobos,
Sou eu um cordeiro a espreita da boa vida.

Paola Vannucci
20/03/2010

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

A Espera Sem Fim


A criação
Vem das profundezas.
Meu interior é um imenso choro,
Revestido de calor,
Emana luz.
Clama,
Irradia sorriso.
Minha face aveludada ainda
Aumenta o tom,
Nas noites finas desta cidade.
A tormenta está no caos do trânsito que
Não me permite chegar ao destino.
Vou,
Rodo e volto ao ponto de partida.
Avisto algo:
Será você a me esperar?
Venha logo.
Logo
Erguerei meus braços.
A espera,
Provoca desconforto
Desesperança...
Percebo
Que a criação fora
Completa
Quando resisto.
No rio do meu deserto,
A saudade
Que passa
Por tempestades,
Até um dia
Você chegar.

Paola Vannucci
20/02/2012

domingo, janeiro 29, 2012

A minha volta


Vejo um mundo a minha volta,

Que não condiz com o que sinto.

A Bomba de Hiroxima deveria acabar com a Terra,

Mas dias bonitos de domingo,

Invadem o mundo.

Não os meus e

Sim para os amantes dos parques,

Após deixarem seus lixos em noitadas decadentes.

Vejo um mundo torpe,

Onde ‘grana’ grita a gana de cada ser.

Pobreza está na mente, e,

Se não me sobra ‘algum’?

Não abro janelas ao vento,

Ficaria exposta no desabar de cada prédio.

Varreria corpos dos escombros,

Do mundo nada me consola, e

Estouvados sobre asfaltos,

Vórtices indeléveis, febris seres,

Que nada produzem.

A esperança é perdida,

Ao escutar arengas nos palanques.

Vejo ínvias mentes conquistando o pão da pobreza.

Estou numa bola de neve que degela

A cada morte sofrida,

Enquanto nos ‘UFC’S’ a violência é

Instigada e aplaudida como se fossem mártires dos desertos.

AH! Vida minha!

Sei que sobreviverei das minhas palavras,

Escondendo-me, sem que me vejam,

Nas tais afirmações minhas.

Sofrendo cada dia, vivenciando

A banalidade que o mundo passa

Flanando por covas sem fundo.

Paola Vannucci

29/01/2012

domingo, janeiro 08, 2012

Faixa Etária

Se, ser poeta é lamuriar sentimentos,

A vida que observo, reflete desgosto.

Não paro de pensar na menina estuprada,

Treze anos,

Perdida numa praia,

Desprendera de seus pais,

Encontrara sexo podre

E lançada ao mar ficara.

Diferentemente da Cristiane F,

Treze anos,

Por opção, era drogada e prostituída.

Se, ser poeta é estar em paz consigo,

Meu mundo estaria completo, se

Não visse outra menina com

Dez anos

Queimando crack nas ruas da cidade.

Desesperada,

A pobre não dorme com medo de ser

Estuprada.

Dez anos,

No meu tempo,

Queria estar sorvendo da brisa do parque,

Lambendo meu sorvete.

Se, ser poeta é descrever o mundo,

Gostaria de não mais lavar minhas palavras

Nas enxurradas lameadas dessa vida.

Paola Vannucci

08/01/2011