sábado, novembro 13, 2010

Voz




Não posso calar minha voz,

Vou muito além do que penso,

Não posso dormir no momento,

Palavras transitam meu cérebro,

Fundindo meu desejo.

Palavras!

Ah! Palavras,

Não devem ser jogadas para amansar ouvidos frágeis,

Devem despertar corações enterrados na tristeza.

Fazer-me calar?

Para quê?

Se meu leito não está pronto?

Não é chegada hora.

Palavras têm poder,

Das más línguas às boas orações,

Dos políticos aos pedintes,

Sinto que levantarei multidões clamando por

Justiça que falta nesta vida moribunda.

Palavras santas acalmam meu coração,

Acredito na bondade humana,

Sina triste faz-me chorar.

Palavras despejam horror

Nas guerras frias,

Palavras seduzem amor

No enlace do meu amor.

Pergunto?

- Devo dormir ou versejar?

Calar-me,

Sinto muito, não devo!


Paola Vannucci

13/11/2010

6 comentários:

nico disse...

liquefaz-se em emoção.
o frio solidifica,
você é do fogo do mundo,
arda, queime, abrasando o que for vida,
infundindo-se na verdade que somos,
muito maior que a nós mesmos,
pois quando abandona nossos corpos, frios
é nela que tornamos, ou voltamos.

Muito, muito lindo... só podia ser
beijo Paola...

João Dias Jr. disse...

Profundo e sublime.
Obrigado por isso moça!

Rob Novak disse...

Tudo, menos se aquietar. É o poder das palavras na vida de quem não silencia.

Bonitos versos!

Bjs

Lua disse...

vc transforma este sentimento de inquietação com a sociedade em poesia... filtra o cotidiano e nos presenteia com belas palavras.............. gosto de ler pq é o avesso do universo que me envolve...........
até o próximo deleite!!!
bjsssssssss!!!!!!!!

Sr. Sete disse...

Palavras, palavras, tenho raiva da sua falta de efemeridade.

Lua disse...

Tem um prêmio para vc lá no meu Blog ... bjks!