sábado, novembro 10, 2012

Noticiário



A tormenta continua sempre que ligo
A televisão.
Cinco morrem, mataram outros sete,
E a cracolândia mudou para a Avenida Brasil.
Noutro dia,
Oito são fuzilados e ônibus foram queimados.
Viciados vivem como mortos vivos,
Mulheres violentadas sem perceberem, homens,
Quebrando seus ossos por uma pedra,
Morador de rua agora é Fashion,
Por uma pedra.
Para fugirem da realidade?
O que os governantes fazem?
Discutem,
Enquanto nascem mais famigerados,
Nasce uma sociedade fantasma.
Cresce a morbidez humana.
Vermes evoluem.
São seres sem ideais algum,
Precisam de readaptação,
Atenção.
Mas pessoas que se dizem comuns,
Correm da podridão,
Escondendo-se em suas casas.
Prefeito não mancha sua farda,
Federais discutem e rebatem governantes.
E a cada dia que passa...
A feira se forma na cidade,
“Vendemos:
- crânios de 2”;
- “fêmur de 10”;
- “Serve quatrocentas córneas”?

Paola Vannucci
10/11/2012

3 comentários:

Wellington Rex disse...

Sua poesia me lembrou a música do Raul Seixas, Metrô Linha 743. Nossas vidas são produtos comercializados sob todas as formas pelos que se arvoram de nossos governantes.

Daniel Aladiah disse...

Querida Paola
Linguagem crú, mas verdadeira... se infelizmente é isso que acontece pelo nosso Brasil.
Beijo
Daniel

Anônimo disse...

Perfeita, adorei - VERÊ