Berro de Criança!!!


Criança berra por comida,
Criança berra por decências,
Criança berra por AMOR!


Crianças de hoje
Nas estradas
Matando pra fumar pedra,
Crack,
Crianças novas
Vendendo corpo ao léu
Por pedra,
Já para esquecer da vida
Que ainda nem viveu.
Criança berra pra matar seu pai e mãe,
Pra fumar pedra,
Cheirar pó...


Sociedade peca
Enclausurando crianças nos calabouços
Que só ensinam miséria,
Que só ensinam miséria.
Criança berra nem sei mais por que.


Este poema escrevi diante de tantos absurdos vistos e vividos por crianças que estão nascendo a olhos vistos e sem saberem, por uma sociedade cretina e mal-vista, estão matando sonhos de um mundo melhor. A banalização está aqui. Na África pra se dar educação tem que matar a fome, aqui no Brasil pra se dar educação tem que matar a criminalidade e a impunidade.


Fica meu primeiro alerta para este ano de 2009


Paola Vannucci
05/01/2009


Comentários

Harold disse…
Paola!
Ontem assisti uma matéria sobre este tema no Fantástico. Foram mostradas as realidades dos menores infratores em Curitiba e Fortaleza. Triste saber que essas situações são reais e muito comuns.
Acho que este país tem uma dívida com esta "geração perdida". Pena que, muitas vezes, não possamos fazer muitas coisas para ajudar a modificar tal realidade.
Beijos e vida!
Parabéns amiga, pelos seus versos de alerta contra o desamor, a injustiça e criminalidade.Muita paz e luz em sua vida! Beijos!
Andrea disse…
Prima...
Comesçaste 2009 colocando sua indignidade pra fora...
Poemas... talvez a melhor forma de desabafo...
Marilene disse…
Paola

As leis erronias desviam as crianças da infância, da inocência da vida pura de ser apenas criança...

Beijos

Marilene
PABLO ROBLES disse…
Oi, Paola

Se de um lado crianças berram, muitos governantes e pessoas se omitem e silenciam, mas não você e suas poesias, que começaram o ano ecoando o sublime grito da justiça

Beijos
Anônimo disse…
HIPER__paola,

recorro a Hannah Arendt, para expressar a minha revolta consciente sobre esta questão dos nossos pequenos 'craques' das sinaleiras/ semáforos/ faróis, postos de gasolina nas BR's, etc:

“Não é possível educar sem ao mesmo tempo ensinar: uma educação sem ensino é vazia e degenera com grande facilidade numa retórica emocional e moral. Mas podemos facilmente ensinar sem educar e podemos continuara aprender até ao fim dos nossos dias sem que, por essa razão, nos tomemos mais educados.”
Sr. Sete disse…
Bom...

Gostei muito do seu blog, principalmente deste último post. Acho que é isso que preciso no meu, parar de olhar simplesmente pra mim.

Legal.
Carmen Amorim disse…
ah...amiga...quem dera tudo poder recomeçar sem desesperar...é divagar. Lindo, Lindo seu poema.
Beijos
Carmen Amorim
Carmen Amorim disse…
Deixo um poema: Casimiro de Abreu


MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!
Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus
— Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!


Carmen Amorim

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